Galeria Porto Collage


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A escolha do tema central deste número recaiu num conceito que pretende ser um contraponto ao do número anterior, complementando, assim, o binómio Centripetação/Centrifugação. Esta escolha mostrou-se inescapável, ilustrando um processo discursivo natural, fruto de inquietações antigas e actuais.



De facto, já na década de 1930, Charles C. Colby identificava dois conjuntos de forças - centrifugas e centrípetas - em contradição e constante interacção, que modelam o espaço urbano e que tentam explicar os factores de atracção ou de repulsão de actividades de e para uma área central. No entanto, estes fenómenos não fariam sentido sem se especificar um referencial, uma centralidade. Foi assim que, muito pragmaticamente, assumimos como ponto de partida o “centro tradicional” do Porto.

A edição anterior tentou lidar com o reconhecimento nacional, em particular no Porto, da “inversão dos movimentos centrífugos, para fora do centro da cidade” e da “recentralização de áreas da cidade anteriormente consideradas marginais”. Este é um tema recorrente nos debates sobre a pós-modernidade e a cidade.

As causas da difusão urbana não são parâmetros imediatos, existindo uma desactualização dos conceitos e das características associados a este fenómeno. Logo, a preferência pelo título Centrifugação, em vez de Periferia ou Sub-urbanidade, não é inocente. Muitas áreas deixam para trás a sua condição de antigas periferias para se assumirem como parte integrante de uma centralidade urbana, passando a representar a antítese de tudo o que é considerado nefasto na chamada periferia. É desta maneira que a discussão deixa de se centrar na maior ou menor adequação da forma da cidade tradicional, e passa a circunscrever o porquê da aceleração da difusão urbana, face a todos os esforços para a travar.
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Neste momento o Grande Porto experimenta dois fenómenos distintos e, à primeira vista, antagónicos. Ao mesmo tempo que o “regresso à baixa” se começa a mostrar viável com investimentos autárquicos e privados de várias escalas e enquadramentos sociais, também as áreas denominadas periféricas usufruem de um continuado investimento, este maioritariamente privado.

Se umas muralhas caíram, outras nunca se transpuseram, sendo os exemplos mais flagrantes os da inexistência de uma segunda ligação pedonal à cota baixa entre as margens do Rio Douro, e o perfil ambíguo da estrada da Circunvalação, uma “terra-de-ninguém”. Por outro lado certos elementos lineares servem mais propósitos que a separação ou a conexão. Alguns, como determinadas vias, em particular a Avenida da Boavista e a E.N. 14, são analisadas no artigo de Miguel Tavares e na entrevista a Manuel Graça Dias e a Álvaro Domingues, respectivamente.
Sente-se que a cidade viveu direccionada para um centro que se viu desocupado e de costas voltadas para uma realidade que se apresenta como uma conurbação que tem vindo a ser continuamente acentuada. O Porto mostra-se assim um laboratório vivo onde podem ser estudados fenómenos extremamente actuais e globais já existentes e observados um pouco por todas as cidades ocidentais.

É nesta óptica que, do artigo de Luís Grilo sobre a Zona Industria do Porto, o alinhamento editorial segue em direcção a uma maior generalização do tema face ao urbano. Esta abstracção temática atinge maior proeminência numa terceira fase, na qual são focados tópicos como a dança e o corpo com os artigos de Renata Pinto e Marcos Cruz.
A centrifugação é, de seguida, explorada por Luísa Magnani no caso concreto da cisão na Escola de Belas-Artes que deu origem à Faculdade de Arquitectura. Por fim, a corrente edição chega ao seu termo com um ensaio mais universal sobre a “cultura do urbano e a aceleração” a cargo de Gonçalo Furtado, cobrindo tópicos como a velocidade e a mobilidade.

Incluída, está também a divulgação de várias iniciativas que têm vindo a acontecer, nomeadamente competições como o Concurso Pladur®, ou o Concurso de Fotografia FAUP sob a curadoria de Pedro Leão Neto, ou mesmo o Concurso Porto Collage, organizado pela presente direcção da revista dédalo.

Além da participação de autores convidados, a corrente edição contou com um grande número de colaborações voluntárias, facto que explica o aumento significativo do volume da revista. Assim, como consequência deste e de vários outros factores logísticos, a actual direcção optou pela publicação de um total de dois números em vez dos previstos três.
É deste cenário que nasce a vontade, que a dédalo assume, de dotar esta discussão do maior número possível de polivalências, falando-se de centrifugação urbana, temática e ideológica. Lembrando Carlos Fortuna:

“Nunca o discurso sobre a cidade foi tão multifacetado e plural como neste final de século. Nunca estivemos tão próximos de reconhecer que só no cruzamento de diferentes campos discursivos e tradições intelectuais pode a cidade reencontrar-se na plenitude da sua multivocalidade e polivalência.” (Carlos Fortuna, 1997)

Ricardo Leal

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Concurso Porto Collage

apresentação dédalo#5 (galerias de paris)

Registo da apresentação do nº 5 da revista dédalo (Plataforma de Debate dos Estudantes da FAUP), sobre o tema Centripetação.

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